Inferno de Cinema

sábado, setembro 13

Meninos e meninas de São José, atenção. Mas, não muita.
Tenho pra dizer que o Cinemark continua uma bela porcaria (ainda mais se você estiver, como eu estou agora, sem senso crítico o suficiente para dar um crédito ao nosso querido cinema). No entanto, como já disse nosso amigo Capivara no primeiro post do nosso blog, seria interessante evitar esse tipo comentário, para não fazer crescer a idéia óbvia de que estamos isolados da cultura. Assim, não há nada passando por lá... a não ser (e agora este é o momento de esperança que justifica meu post) HellBoy II - The Golden Army.
Vale a pena conferir o primeiro filme antes. Mas, não faz falta nenhuma assistir o segundo sem ter visto o primeiro. Por comparação. O primeiro é conciso e correto. O argumento é enxuto, mas, agora que Golden Army chega, ele se mostra um pouco contido.
Army tem um argumento bacana e um vilão com um objetivo compreensível (discutíveis são seus métodos). Há uma luta pela a existência dos seres fantásticos, porque a ambição humana ou o “coração que nunca se satisfaz” perdeu o controle numa maneira ainda mais acentuada. Nesse contexto, deve HellBoy salvar toda a tragédia do projeto humano?
E temos toda a questão estética (eu queria ter um livro como aquele da lenda do Exército Dourado). Sempre há aquela imagem que faz você compreender o filme todo. Para mim, o personagem espectral que usa uma armadura quase rota é símbolo adequado para ilustrar um aspecto da noção da estética de Guilherme Del Toro. Nada é exatamente clean, bem definido e hightech. É tosco, não necessariamente todo funcional, mas tem as reentrâncias “erradas” de uma alter-realidade. Ou seja, tudo ali é fantástico, mas um fantástico rude (o labirinto de fauno mostra isso ainda melhor) e nada inofensivo. Os seres da floresta não precisam despertar um sentimento agradável (logo, nada de bichinhos de Nárnia!) , pois a imaginação não é necessariamente agradável, e pesadelos acontecem enquanto você dorme. É a idéia da fantasia para adultos. Mas, não gosto desse termo. Prefiro pensar numa perda de inocência. Ora, a ficção trata da realidade colocada em outros termos. Não é escapismo, porque remete a temas reais. Claro, claro. O filme não é o melhor do ano, e não substitui livros, professores ou academia (mas, isso é tão óbvio que fico irritado só de ter que lembrar). Contudo, eu me permito ser otimista e ver aqui mais um exemplo bacana de que dá pra ser fazer algo divertido e inteligente. Alguém aí disse arte pop?

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